novo disco de Tom Waits

brawlers, bawlers, bastards
Anti- 2006
Os ouvidos mais atentos reconhecerão em "Orphans brawlers, bawlers, bastards" uma mão-cheia de temas previamente lançados e dispersos em bandas sonoras e colaborações diversas. A começar por "You can never hold back Spring", o tema com o qual Roberto Benigni inicia o seu mais recente filme, o semidesinspirado "O tigre e a neve".
Mas há também "What keeps mankind alive", que Waits gravou há duas décadas para um disco de tributo a Kurt Weil ou o dilacerante "Little drop of poison", integrado na banda-sonora de "End of violence", de Wim Wenders,Cada um dos três discos representa uma constelação sonora autónoma, perfazendo, no entanto, um conjunto cuja coerência torna "Orphans" o enésimo ponto alto na carreira de Thomas Allan Waits.
Em "Brawlers", evidencia-se o 'bluesman' capaz de fundir na sua música, com tanta propriedade como desenvoltura, o jazz, o folk e o rock. Oscilando eternamente entre o céu e o inferno, Waits tanto proclama, num esforço vão de redenção, "Lord I've been changed" como se lança demencialmente nas garras da culpa, em temas como "Fish in the jailhouse" ou "Bottom of the world".
As facetas pop e romântica sobressaem nos 20 temas de "Bawlers", o segundo disco. Apelidá-lo de "o mais desequilibrado dos três" não significa que esteja isento de canções dignas do imenso reportório 'waitsiano', mas apenas que é menos abundante em temas inesquecíveis.
O experimentalismo domina o derradeiro disco do tríptico. É aqui que encontramos o compositor empenhado em extrair sons dos mais improváveis instrumentos, lado a lado com o contador de histórias da América das paisagens a perder de vista. in Jornal de Notícias
